Agricultura, saúde e meio ambiente

Agricultura, saúde e meio ambiente, temas aparentemente separados, revelam cada vez mais a sua conectividade - vale apurar o olhar pra dentro de você e pra fora. Já párou para pensar que a forma como os alimentos são produzidos e depois consumidos guardam rastros de impactos, positivos ou negativos a sua saúde e ao meio ambiente? 

É deste caldeirão que vamos falar! 

Estima-se* que 12,4% das emissões mundiais de gases de efeito estufa advém da agricultura e uso da terra, representando extensas áreas de monocultura, pecuária e de uso de produtos sintéticos que enfraquecem o solo, poluindo ar e água.  

No Brasil, a maior parte dessas terras são extensas plantações de monocultura de soja, milho, e demais commodities, por vezes transgênicos utilizados como insumos para ração, ou como ingredientes para alimentos ultraprocessados, enviados para exportação. 

Isto se reflete em uma monotonia do sistema alimentar global, assim como a produção agrícola se baseia na monocultura com baixa diversidade, o que ingerimos tem uma reflexão direto neste padrão - como referido no estudo da “monotonia do sistema alimentar global**” de 2025 da Faculdade de Saúde Pública.  

A “tríplice monotonia” como cunhado no estudo aponta: 

1º - A produção agrícola é excessivamente concentrada: apenas seis culturas respondem por 75% da ingestão global de calorias  – muitas vezes cultivadas em regiões cada vez mais vulneráveis a eventos climáticos extremos. Essa concentração também se traduz em termos de acesso, em 2023, 28,9% da população global enfrentou insegurança alimentar moderada a grave. 

2º - O aumento da resistência antimicrobiana – uma das preocupações mais urgentes da OMS – evidencia os riscos da concentração de populações homogêneas de animais em que se baseia a pecuária industrial em larga escala. 

3º - O consumo excessivo de carne e a crescente presença dos alimentos ultraprocessados nas dietas em todo o mundo são os principais impulsionadores da pandemia global de obesidade, indicando que os sistemas alimentares atuais vêm falhando também em promover a saúde humana - aproximadamente 40% dos adultos e 20% das crianças em todo o mundo estão com sobrepeso ou obesidade, e as condições relacionadas à obesidade causam cada vez mais mortes e doenças que poderiam ser evitadas. 

Mais do que uma escolha individual, o cenário revela um sistema político que tem o poder de determinar a saúde das pessoas e do planeta. Como diz Krenak “estamos comento o mundo”, mas não estamos nos alimentando bem e nem o planeta.  

De acordo com o estudo “Alimentos no Antropoceno: a Comissão EAT-Lancet sobre dietas saudáveis ​​a partir de sistemas alimentares sustentáveis***” grandes mudanças devem ser feitas para evitar tanto a redução da expectativa de vida quanto a degradação ambiental contínua. 

O estudo indica uma referência de dieta saudável para uma ingestão de 2500 kcal/dia baseada principalmente em vegetais, frutas, grãos integrais, leguminosas, nozes e óleos insaturados, inclui uma quantidade baixa a moderada de frutos do mar e aves e inclui pouca ou nenhuma quantidade de carne vermelha, carne processada, açúcar adicionado, grãos refinados e vegetais ricos em amido.  

Escolher o que consumimos é um privilégio, mas também é uma decisão política e boas alternativas se apresentam na compra de alimentos produzidos de forma natural ou orgânica de preferência produzidos por pequenos agricultores locais. Na escolha de locais para se alimentar fora do lar, restaurantes vegetarianos e veganos são ótimas opções. 

A Aima fica localizada no espaço Aflora, local que abriga o restaurante Purana de alimentação natural - temos contribuído com o pensamento e ações baseada no fortalecimento de sua cadeia de suprimentos local, para além de entregar benefícios a saúde de quem consome, entregar renda e valor ao meio ambiente a quem planta.  

Se sua empresa também tem esse propósito ou se interessa por essa ideia deveríamos conversar! 

Fontes bibliográficas:  

https://www.climatewatchdata.org/sectors/agriculture#drivers-of-emissions

** https://catedrajc.fsp.usp.br/temas/monotonia-agroalimentar/  

*** https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(18)31788-4/abstract 



Rua Cônego Eugênio Leite, 840 — Pinheiros, São Paulo — SP

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